quinta-feira, 16 de julho de 2020

RBVA11 e a presepada do Santander

Olá pessoal.

O RBVA11 é um fundo de investimento imobiliário que tem, além de imóveis locados para o varejo, agências bancárias alugadas para a Caixa e Banco Santander.

Quando iniciei meus investimentos no fundo eram apenas agências da Caixa (AGCX11). A Rio Bravo, com o objetivo de diversificar o portifólio, expandiu os investimentos do fundo para o varejo (outros imóveis), inclusive com a mudança do nome e ticker (RBVA11).

Recentemente, o fundo SAAG (11) - agências Santander - foi incorporado ao RBVA11, fazendo deste um fundo com valor de mercado de R$ 1.411.491,952,69 (dados do Clube FII).

Quando da incorporação do SAAG pelo RBVA, muitos cotistas do SAAG reclamaram de ter que "se misturar" com um banco público. Disseram que só investiram no SAAG porque confiavam no Santander, uma instituição privada, multinacional, que tem por hábito cumprir os contratos; que os bancos públicos brasileiros (Banco do Brasil e Caixa) não são confiáveis, enfim, foi um mimimi danado.

Pois bem. Nos últimos dias o Santander - queridinho do mercado - ajuizou 28 ações questionando contratos atípicos. O Banco vendeu as agências e alugou logo em sequência - sale and leaseback -; usou o dinheiro para fazer mais dinheiro com seus juros baixinhos aplicados aqui no Brasil; com 5 meses de pandemia diz que "os 28 mil cotistas do RBVA11 estão enriquecendo de forma ilícita". Virei um praticante de ilícito civil e não sabia. Obrigado, Santander.

A minha pergunta aqui é a seguinte: imagine que a Caixa tivesse feito isso. Iriam pedir até o impeachment do presidente da República - já pedem todo dia mesmo. Diriam que essa potroca deveria ser privatizada, que banco público é uma merda - há muita verdade nisso -, não respeita contratos, enfim, um monte de coisa. 

É apenas uma reflexão. Assim como nos casos do MFII11 e ABCP11 não farei nada no momento. Se cair muito, pretendo até comprar mais.

Não sei o motivo de o Santander ter feito uma presepada tão grande por conta de apenas 28 agências (tem mais de 2000 em todo Brasil).

O que eu sei é que o titio Warren está sempre certo: a diversificação é a melhor saída para os ignorantes.

Quando diversificar muito, um ou outro zé mané vai dizer que você está pulverizado. Pulverizado é a tonga da mironga. Imagina quem tem um portifólio só com shoppings excelentes e depende dos rendimentos para sobreviver: está lascado nesse momento de pandemia.

Diversificação nunca é demais.

Imagine se fosse a Caixa ou o Banco do Brasil......kkkkkkkkkk

Para quem deseja entender mais do caso, segue uma live com o professor Baroni.

Um abraço e até a próxima.









quarta-feira, 15 de julho de 2020

Aristóteles e a vida moderna: você nasceu para ser escravo?

Olá pessoal.

Na história da filosofia há diversos debates sobre a escravidão e seus motivos. Aristóteles, celebrado por muitos e odiado por outros, defendia, em linhas gerais, que "uns eram escravos por natureza, enquanto outros livres por natureza; uns nasciam para comandar, enquanto outros para serem comandados"

A grande dificuldade ao estudar obras e pensamentos do passado é afastar-se do anacronismo, isto é,  evitar apreender as ideias clássicas com os nossos óculos pós-modernosos. Por exemplo, é um anacronismo dizer que Jesus era comunista ou capitalista; são afirmações estapafúrdias. Capitalismo e comunismo são conceitos modernos. Não faz sentido aplicá-los em comunidades judaicas de mais de 2.000 anos atrás. Quando se faz isso, sem atenção para o contexto cultural da época, qualquer um pode ser tachado de machista, racista, misógino, fascista, capitalista, comunista, enfim, do que você quiser. 

É usar óculos pós-modernos para enxergar uma realidade cultural totalmente diversa.

Mesmo assim, ainda pergunto, nascemos para ser escravos ?

A escravidão clássica quase foi extinta em todo o mundo; poucos países mantém esse tipo de relação entre pessoas. 

Mas a maioria das pessoas é de fato livre ? 

Levantar 6 horas da manhã e dormir meia-noite; não ter tempo para os filhos nem para a família; enfrentar o transporte coletivo (duas horas para ir e duas para voltar do trabalho); não ter tempo para praticar esportes; viver a base de remédio; happy hour no trabalho (uma grande "festa estranha com gente esquisita") em que somos obrigados a parecer felizes para agradar colegas e chefes, vender sua força de trabalho, basicamente, para pagar impostos, juros bancários e consumir aquilo que não precisa para agradar pessoas que não se importam com você; espiar a vida alheia nas redes sociais; ser monitorado 24 horas por dia por google, amazon, facebook huawei e sei lá mais o quê; receber ligações, o tempo todo, de gente querendo vender coisas; ser obrigado a ficar ao lado do celular, o tempo todo, porque pode receber uma mensagem urgente do trabalho (urgente coisa nenhuma, ninguém vai morrer por conta disso); conferir e-mail 100 vezes ao dia; ser estimulado, o tempo todo, para sempre querer mais, mais e mais; mudar de cidade o tempo todo para buscar novas oportunidades, sentindo que não pertence a canto nenhum; assistir noticiário de política e ler tudo sobre o assunto, como se isso fosse mudar sua vida.

Em algum momento da minha vida adotei algum desses comportamentos. Talvez você seja um afortunado e veja coisas positivas em tudo o que relatei. Pode até ser. Nunca fui acorrentado, nunca sofri agressões físicas, enfim, nunca fui um escravo no sentido clássico. Mas, em diversas vezes, me senti um escravo do mundo moderno, um escravo de um mundo sem sentido.

A impressão que tenho, atualmente, não é que uns nascem para ser escravos e outros para serem livres; todos nascem para ser escravos. Escravos do Estado, de instituições, de grandes empresas, de um estilo de vida e de outras coisas que nem temos ideia. É a minha matrix, a sua matrix, a matrix nossa de cada dia.

"Ai, que mimimi! Nossa vida é muito melhor do que a de pessoas do passado. Temos youtube, facebook, leite de caixinha, gatorade, iphone, ifood, uber, internet e um monte de outras coisas"

Respondo com Raul Seixas (Ouro de Tolo):

É você olhar no espelho
E se sentir um grandessíssimo idiota
Saber que é humano, ridículo, limitado
E que só usa 10% de sua cabeça animal
E você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial
Que está contribuindo com sua parte
Para nosso belo quadro social
Eu é que não me sento no trono de um apartamento
Com a boca escancarada, cheia de dentes
Esperando a morte chegar

A escravidão moderna não é a ausência de coisas; não é a ausência de liberdade; é a ausência de sentido. Existimos sem saber o porquê de viver e lutamos por coisas de que sequer gostamos. É a vida no piloto automático - só que quem programou o piloto foram outras pessoas e não você.

É verdade que os antigos também podiam viver sem sentido; não é algo próprio dos pós-modernos. Mas acredito que nunca houve uma época tão carente de significado como a nossa. Somos seres tribais sem tribos. Pessoas que precisam de pessoas e são forçadas a viver cada vez mais sozinhas - falo por mim.

Pensar e escrever tudo isso não me deixa triste: só me faz pensar nas coisas de que realmente gosto. Naquilo que realmente valorizo. Nas pessoas, nas ideias e não nas coisas. 

Se tem dificuldade em pensar sobre o que importa, faça um exercício: imagine que morrerá daqui um ano. Não precisará trabalhar até lá. O que você gostaria de fazer? De que realmente gosta? Com quem gostaria de conversar e passar seus últimos dias?

Só um lembrete: após sua morte, você, como a maioria de todos nós, será substituído e esquecido. Os seus troféus conhecerão o destino eterno de todas as coisas: a lata do lixo.

"Pois os vivos sabem que morrerão, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco têm eles daí em diante recompensa; porque a sua memória ficou entregue ao esquecimento" (Eclesiastes 9.5)

"Pois, tanto do sábio como do estulto, a memória não durará para sempre; pois, passados alguns dias, tudo cai no esquecimento. Ah! Morre o sábio, e da mesma sorte, o estulto! (Eclesiastes, 2.16).

Talvez a resposta para muitos dos seus problemas - inclusive a vida de escravo moderno - esteja em ouvir a si mesmo. Estar atento para aquilo que realmente lhe importa. Conectar -se ao essencial e libertar -se das futilidades.

"Conhece-te a ti mesmo".

Um abraço e até a próxima.









sexta-feira, 3 de julho de 2020

Carteira de renda variável - aportes e livros de junho

Olá pessoal,

Os aportes de junho foram para:

TGAR11 e BARI11 - FIIs
SMAC11 - ETFs.

Segue carteira de renda variável, sem o SMAC11:



O mês de junho foi muito bom para a leitura. Além de "Dinheiro e Vida", li "A idade decisiva" de Meg Jay. É uma autora americana que aborda a importância das atitudes tomadas entre os 20 e 30 anos. De como nenhum outro período será tão determinante em sua vida. 

Gostei muito da forma prática e objetiva com que ela aborda e relata os problemas dos pacientes; de como muitos jovens - entre os 20 e 30 - se perdem ao pensar que "tem todo o tempo do mundo" e que "podem fazer o que quiser, porque as possibilidades são infinitas, visto que são jovens".

Basicamente, diz que os jovens negligenciam que, entre os 20 e 30, devem semear em duas áreas principais: trabalho e família (amor). Que é muito comum que as pessoas, depois dos 30, tenham uma sensação de desespero ao olhar para trás e pensar: "onde eu estava com a cabeça com meus 20 e poucos anos"? Trabalha conceitos interessantes como a "força dos vínculos fracos" e a "fraqueza dos vínculos fortes".

Se quiser saber mais, leia o livro.
  
Segue uma palestra da autora:




Um abraço e até a próxima.





quarta-feira, 24 de junho de 2020

A situação dos aposentados no Brasil - você quer ser 1%?



Olá pessoal,

No blog Viagem Lenta o Bansir publicou um excelente texto com o título: "qual o significado da aposentadoria para mim"? (https://viagemlenta.com/qual-o-significado-de-aposentadoria/).

Gostei muito - e me identifiquei - quando disse que, ainda que não alcance a aposentadoria antecipada, tem como um dos seus propósitos fornecer liberdade financeira aos filhos, isto é, não depender deles na velhice. 

Segue um gráfico com a situação dos aposentados no Brasil:




Como podemos ver, segundo o IBGE, apenas 1% dos aposentados brasileiros são considerados independentes; 46% dependem de parentes; 28% dependem de caridade e 25% são obrigados a trabalhar.

Ser aposentado e independente é uma tremenda exceção no Brasil; nem se fale daqueles que alcançaram essa independência de forma antecipada (FIRE), são exceção da exceção da exceção.

Como pai tenho o mesmo desejo do Bansir. Já seria de grande ajuda para os meus filhos se não dependesse deles na velhice, pelo menos no aspecto financeiro.

Fico muito feliz de poder ajudar alguns dos meus ascendentes. Creio que seja obrigação dos filhos cuidar dos pais/avós, assim como é obrigação dos pais cuidar dos filhos.

Só que nem todo mundo pensa assim. O mundo é  cheio de pais/mães que não ligam para os filhos e de filhos que não se importam com os pais. Você só sabe se pode contar com os outros no momento da necessidade; nessas horas que surgem as grandes decepções.

Diante desse quadro, o melhor a fazer é se preparar para o futuro, enquanto ainda há tempo. E não se esqueça de que, em alguns grandes estados do Brasil (RS, RJ e MG) faz algum tempo que temos atrasos nos salários de servidores.

Prepare-se para o futuro! É a única chance de ocupar a faixa dos 1% que não dependem da caridade alheia.

Um abraço e até a próxima.


domingo, 21 de junho de 2020

Otávio Paranhos: 3 mitos da aposentadoria antecipada

Olá pessoal,

Recentemente, descobri um ótimo canal no youtube, do Otávio Paranhos.

Alia 3 raras qualidades em seus vídeos: conhecimento, objetividade e boa didática.


"3 MITOS SOBRE A APOSENTADORIA PRECOCE"


"4 COISAS QUE GOSTARIA DE SABER QUANDO COMECEI A INVESTIR"


Um abraço e até a próxima.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Dinheiro e vida - Vicki Robin e Joe Dominguez

Olá pessoal,

Há livros que marcam nossas vidas. Recordo-me da primeira vez que li "Pai Rico, Pai Pobre", "O Milionário Mora ao Lado" e "O Homem Mais Rico da Babilônia". A leitura se deu em épocas distintas, mas cada obra desempenhou um papel importante em minha trajetória.

Eles foram responsáveis por pequenas e grandes mudanças em minha vida. Mudanças de hábitos, comportamentos e de ideias. 

O "Pai Rico, Pai Pobre" - hoje um pouco em descrédito - foi o primeiro: ali vi a importância do acúmulo de ativos geradores de fluxo de caixa; a importância de correr riscos e não se limitar às ideias e pensamentos de sua família com relação à profissão, dinheiro e riqueza.

O "Homem Mais Rico da Babilônia" foi revolucionário. O hábito de pagar-se primeiro veio dali. Se eu pudesse ensinar apenas um hábito virtuoso aos meus filhos - com relação às finanças - seria o de pagar-se primeiro. Todo o resto deriva dele.

O "Milionário Mora ao Lado" é revelador e destruidor de mitos. A ideia de que a frugalidade - viver abaixo de suas possibilidades - é o denominador comum na maioria dos milionários "normais" dos Estados Unidos. Pessoas comuns, com empregos normais e famílias normais. Dali veio a convicção de que é possível ser milionário, ainda que não seja um fora de série. 

Ainda estou no meio do livro "Dinheiro e Vida" de Vicki Robin e Joe Dominguez. A impressão é de estar assistindo ao filme Matrix e cada página me convida a tomar a tal pílula vermelha. Um convite a perceber os problemas do sistema em que vivemos - de como estamos anestesiados em nossas vidas e propósitos. Do quanto trocamos nosso maior e principal ativo - tempo/energia vital - por bens, serviços e status que não nos trazem felicidade.

Recomendo, fortemente, a leitura de Dinheiro e Vida. Pode gerar incômodos e vertigens. Apesar de bem avaliado na Amazon, veja um dos comentários sobre o livro:

Altamente esquerdista - Algumas dicas interessantes espalhada pela obra, mas infelizmente totalmente contaminado pela doutrinação socialista e globalista politicamente correta que amaldiçoa nossos dias. Indigesto do começo ao fim.

Agora um outro comentário positivo:

Excelente - Os autores traçam um caminho interessante para a Independência Financeira, nos mostrando principalmente que para se atingir esse patamar há necessidade de muito esforço e mudança de inúmeros comportamentos.

Chamar "Dinheiro e Vida" de politicamente correto é uma brincadeira de péssimo gosto. É aquele tipo de comentário de alguém que "ou não leu ou leu e não entendeu".

Ao término da leitura, pretendo fazer uma breve postagem, com os tópicos mais relevantes.

O livro é tão bom que não quis esperar o término da leitura para recomendá-lo.

Um abraço e até a próxima.