quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

A covid me pegou, mas não me levou... - algumas divagações

Olá pessoal,

Faz tempo que não posto por aqui.

Faz algumas semanas que eu e toda minha família contraímos Covid-19. A esposa e as crianças lidaram bem com a doença. Eu sofri um pouco mais (cansaço, fraqueza, febre e tosse). Mesmo recuperado, a fadiga ainda persiste e não sinto que estou 100%. 

Nesse mesmo período, o pai de um grande amigo faleceu de Covid. Esse amigo ficou internado, mas já se recuperou. Um outro amigo da escola faleceu por motivos desconhecidos, enquanto dormia no apartamento. Tempos muito dolorosos.

Gostaria de compartilhar algumas coisas que aprendi nesse período:

1) Cuide bem daquilo que é mais importante para você - reserva de emergência e seguro de vida

Você nunca saberá quando será o seu último dia. Especialmente se for pai ou mãe de filhos pequenos, se possível, tenha uma reserva de emergência que contemple alguns meses de gastos. Além disso, se puder, tenha um ou mais seguros de vida. 

Em certo momento eu pensei, ainda que levemente, que poderia morrer. Não é uma sensação muito boa quando se tem filhos tão pequenos e ama a família. Aquelas listas que tratam das últimas coisas que pensa quando está perto da morte são bem verdadeiras. 

Fiz um cálculo rápido do patrimônio acumulado e dos prêmios dos seguros e, apesar de toda insegurança do momento, fiquei feliz ao perceber que minha família teria condições de se bancar por um bom tempo.

Descobri, na pele, que o seguro de vida é uma espécie de reserva de emergência para futuros catastróficos e que pode trazer alguma paz e tranquilidade, mesmo em ambientes de muito estresse.

2) Tenha e mantenha relacionamentos significativos

O dinheiro é fundamental no sistema em que vivemos. Isso é inegável e não tem para onde fugir. Mas pessoas significativas valem mais do que coisas significativas.

Construa e mantenha relacionamentos significativos em sua vida. Somos seres relacionais. Essa vida atomizada, desequilibrada, centrada no consumo e egoísmo, pode levar qualquer um de nós a apenas acumular coisas, mas esquecer de cultivar algo muito mais importante : relacionamentos.

Cuide de você, de sua família e de seus amigos.

Ao pensar na morte você percebe que há coisas mais importantes do que um grande patrimônio.

3)  O amor supera o ódio

Meu vizinho de apartamento é pastor da Universal. No começo da pandemia, nessas conversas atravessadas de elevador, o vizinho disse para minha esposa que covid era "fake news" e sei lá o quê. Nessas horas você fala "aham" e sai de perto, para não dar palco para maluco.

Quando vejo o cidadão e penso no pai do meu amigo, às vezes tenho vontade de dar uma voadora com os dois pés no peito dele e já partir para a "sessão do descarrego"- descarrego de soco, cotovelada, joelhada e chute com a canela. Nessas horas, controle emocional e deixar para lá sempre é o melhor caminho. Não deixe que um sujeito atribulado e maluco roube o pouco de paz que ainda existe dentro de você. 

Talvez você tenha perdido alguém ou conheça alguém que se foi por conta da Covid. Certamente quando ouve ou vê alguns dos discursos atuais a raiva sobe. É impossível não subir. 

Eu não vou dizer que é fácil - porque não é - mas procure perdoar, até mesmo esse bando de idiota que nunca te pedirá perdão.

O ódio consome por dentro. Tem um versículo bíblico na 1 Carta de João 2:11 que diz o seguinte: "Mas aquele que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai: porque as trevas lhe cegaram os olhos".

Ódio é uma desgraça. Ódio causa cegueira. Deve ser sempre combatido com o perdão, mesmo que o idiota que lhe fez mal nunca tenha reconhecido o erro.

Ame, especialmente esse bando de maluco insensível que, muitas vezes, se diz cristão mas não passam de fariseus hipócritas e vendilhões do templo. Esse povo, em sua grande maioria, não sabe o que é o amor, muito menos solidariedade.

Um mundo de ódio não justifica que você ande por aí sem amar e pisando no calo dos outros.

Quem odeia anda pela caminho da autodestruição. Não seja um desses, mesmo que você tenha todos os motivos para andar indignado.

4) Que 2021 seja um ano melhor

Muitas pessoas sofreram em 2020. Mortes, perda de pessoas importantes, desemprego, miséria, desespero, empresas falidas, enfim, são momentos muito complicados.

Desejo que renove suas forças para esse próximo ano e que, com a ajuda de Deus, tenhamos um 2021 melhor.

Ainda que você não tenha uma fé específica ou ache tudo isso uma grande bobagem, saiba que não está sozinho e milhões de outras pessoas passaram tempos de muita dificuldade.

Não há garantia de que o futuro será melhor. Ainda assim, agradeça por aquilo que tem, mesmo que seja pouco.

5) Coisas nem tão importantes

Nos últimos meses fiz aportes em : BBPO11, BBRC11, RBVA11, PGMN3, CVBI11, ABCP11 e HGRE11 e HFOF11.

Além disso, fiz a consolidação do patrimônio familiar  e lancei o valor de alguns FIIs que estão na conta da esposa: MFII11, VRTA11, XPLG11, VISC11, ABCP11 e MXRF11. 

Finalmente iniciei os aportes no exterior, através de ETFs: SDIV, VNQ e VNQI.

Li muitos livros. Comprei muitos também. Os destaques vão para: 1) O Mais Importante para o Investidor (Howard Marks); 2) O peregrino (John Bunyan); 3) O Anticristo (Nietzsche); 4) Por uma vida mais simples (André Cauduro).

O livro do Howard Marks é bem interessante. Entretanto, não sei se por conta da Covid, amei a releitura de "O peregrino" de John Bunyan. Não é uma obra tão conhecida no Brasil, mas se trata de um clássico da literatura inglesa. John Bunyan foi um cristão perseguido pela Igreja Oficial na Inglaterra.. Enquanto esteve na prisão, escreveu esse livro que é um dos mais vendidos de todos os tempos. É uma alegoria de um cristão a caminho da Cidade Celestial.

Ao mesmo tempo, li o Anticristo, de Nietzsche. A obra é considerada uma grande crítica a todo o cristianismo histórico, vinda do "filósofo do martelo". Confesso que nunca conheci alguém que tivesse lido "O Peregrino" e "O Anticristo". Um dos grandes problemas da atualidade é que as pessoas se recusam a ler qualquer coisa que critique ou questione sua visão de mundo. Ateu só lê ateu. Cristão só lê cristão e, de preferência, do mesmo arraial da fé. Isso limita a capacidade de raciocínio e de análise. Ri muito de algumas visões do Nietzsche, mas confesso que, em vários pontos, dei bastante razão às críticas que fez ao cristianismo histórico, sobretudo às hierarquias eclesiásticas.

Ler o ponto de vista contrário, na maioria das vezes, é a melhor forma de depurar aquilo que acredita e aprender com o outro. O grande problema das redes sociais modernas é que apenas reforçam, de forma permanente e amplificada, o viés de confirmação. Transforma tudo em um Fla-Flu e ninguém escuta ninguém. É tudo torcida.

Outro destaque de leitura vai para o livro "Por uma vida mais simples", de André Cauduro, publicado pela Editora Cultrix; que livro bom.  Ler relatos de pessoas que tiveram coragem de mudar de vida e adotar um estilo mais simples é reconfortante. O que mais apreciei no livro é que, ao tratar do "movimento pela simplicidade", o autor também aborda algumas críticas e hipocrisias dessa ideia. Muito interessante.

Li também o excelente livro Viagem Lenta, do André, mas esse merece um post especial para o futuro.

Segue o patrimônio :



Patrimônio consolidado:




Um abraço e até a próxima.


sexta-feira, 30 de outubro de 2020

As cinco linguagens do amor

 Olá pessoal, 

Em tempos normais não é fácil manter um relacionamento, imagine durante uma pandemia.

A vida a dois exige cuidado, carinho e muito afeto.

Perdi as contas de quantos livros já li do Gary Chapman, autor de as 5 linguagens do amor.


Recomendo para todos, ainda que solteiros.

Não é só o patrimônio que precisa de cuidado, tempo e investimento.

A maior riqueza da vida não são números em contas bancárias. São os relacionamentos significativos. Pessoas importam mais do que coisas, ainda que, frequentemente, sejamos ensinados do contrário. "Se o dinheiro é o seu deus, sua vida será um inferno".

Gosto do livro por duas perspectivas: autoconhecimento - ao incentivar auto percepção da sua linguagem do amor principal - e conhecimento do(a) companheiro(a) - ao devotar-se a principal linguagem do outro.

É um livro muito bom, tanto para prevenção de problemas quanto para aqueles casais que já enfrentam os últimos dias juntos.

Dê uma chance à possibilidade de ser feliz a dois.

Casar é fácil, difícil é desfrutar da união por longos anos.

Invista naquilo que mais importa - sua família.

Um abraço e até a próxima.





quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Praemeditatio malorum - antecipando coisas ruins

 Olá pessoal,

É comum ouvir a ideia de que se deve pensar e mentalizar apenas coisas boas na vida. Eu mesmo gosto muito de pensar sobre isso, em especial no que diz respeito à gratidão. Agradecer faz bem.

Entretanto, o modo de vida que só vê as coisas boas pode resultar em grandes tragédias.

Planos dão errado; pessoas morrem; pandemias, tragédias naturais, enfim... o mundo não é feito só de coisas boas.

Gosto muito dos filósofos estoicos. Você já ouviu falar na ideia da "praemeditatio malorum", também conhecida como "e se tudo der errado" ?

Refletir sobre a frustração dos planos pode ajudar e se prevenir e proteger a si mesmo e sua família.

Exemplo: casal com filhos em que apenas um deles trabalha. Em caso de morte do provedor, os sobreviventes ficarão sem sustento. Alguém pensou nisso e inventou o seguro de vida.

Concertinas, cercas elétricas, segurança armada, plano de saúde, câmeras de segurança e outros dispositivos têm como fundamento a ideia de que, em algum momento, coisas ruins podem acontecer.

Derivativos, opções e mercados futuros foram pensados, grosso modo, para garantir alguma segurança para possíveis tragédias, muito embora, atualmente, sejam mais instrumento de especulação do que, propriamente, de segurança para os investidores.

Para quem está no início da acumulação de patrimônio, nada é mais relevante do que a reserva de emergência, de preferência alocada em um ativo líquido e de facílimo acesso, inclusive durante os finais de semana.

Coisas ruins acontecem, quer você queira ou não.

Não caia no erro de formular planos baseados em cenários perfeitos.

Um abraço e até a próxima.



Chama o Meirelles ? - possibilidade de aluguel de FIIs

Olá pessoal,

Indico um vídeo com o Baroni e o André Bacci sobre a possibilidade de aluguel dos FIIs, tal como já ocorre com as ações. Live interessante considerando o alvoroço de muitos investidores com as notícias recentes. Aprendi muito - e ainda aprendo - com os dois. 

É muito cedo para apontar se é uma mudança boa ou ruim para os investidores em FIIs, mas acredito que evitará a ocorrência de valorizações absurdas e desconexas como vimos no FLMA11 nos últimos anos.




Estava aqui pensando: será que chamarão o Meirelles de novo?

Eu não sei se é para rir ou para chorar, mas quem duvida?

Imagine a carinha do Paulo Guedes - com toda sua humildade e sabedoria - quando o Meirelles chegar como presidente do Banco Central ou de um eventual novo Ministério da Fazenda .... ha ha ha ha...

Na desgraça tudo o que você pode fazer é rir dela.




Considerando o nível de indigência mental na sociedade, deixo claro que os memes são brincadeiras, com um pequeno fundo de verdade.

Um abraço e até a próxima.

terça-feira, 27 de outubro de 2020

Fechamento de outubro de 2020 - livros, carteira e aportes

 Olá pessoal,

LIVROS

Mês proveitoso para as leituras. E viva o kindle !! Em regra, a Amazon disponibiliza livros digitais mais baratos do que as versões físicas e com entrega instantânea. Muito bom para os leitores.

O investidor de bom senso - John Bogle - Livro clássico nos EUA com tradução recente para o português. Gostei muito da obra e recomendo para todos aqueles que desejam conhecer mais a fundo a estratégia de investimento passivo que acompanha índices, em especial o S&P 500. Recordo-me de que é um dos livros mais bem recomendados pelo "Viver de Renda". Preço bem acessível através do kindle. Melhor do que pagar cursos horrorosos de internet que prometem lucros fáceis na bolsa de valores.

A fórmula mágica de Joel Greenblatt para bater o mercado de ações - Em oposição ao livro do John Bogle, defende a tese de que, adotando determinados critérios para a escolha das ações - stock picking - é possível bater o mercado em janelas de longo prazo. Gostei da abordagem e da forma que o autor redigiu o livro. Ainda não encontrei nenhum estudo aplicando a metodologia no Brasil.

Aprenda a operar no mercado de ações - Alexander Elder - Eu gosto muito do Alexander Elder, principalmente pelo pouco que sei de sua história de vida. Nascido na antiga URSS estava a bordo de um navio na costa da África - servindo ao país - quando decidiu pular no mar para escapar da cortina de ferro. É psiquiatra. Aborda com maestria a psicologia - ou insanidade do mercado e seus operadores. Chegando aos EUA, ao adaptar-se ao sistema capitalista, decidiu se especializar no mercado acionário como trader. É como se tivesse coragem para, novamente, pular no mar. Uma lição subliminar de que, para ter sucesso na vida, você precisa ter desejo e vontade de fazer coisas fora do comum e que a maioria vê como loucura. "Hay que tener cojones".  Insanidade é fazer o mesmo que a maioria e esperar resultados diferentes. As vezes, a única solução é pular no mar e nadar contra a correnteza.

Algumas passagens do livro:

"Muita gente, rica ou pobre, sente-se enredada e enfastiada. Como escreveu Henry David Thoreau, quase dois séculos atrás, "a massa de pessoas leva vidas de desespero conformado".

Acordamos todas as manhãs na mesma cama, tomamos o mesmo café da manhã, vamos para o trabalho pelos mesmos itinerários. Vemos as mesmas faces monótonas no escritório e remexemos os mesmos papéis em nossos postos de trabalho. Voltamos para casa, assistimos aos mesmos programas de televisão, bebemos uma cerveja e vamos dormir na mesma cama. Repetimos essa rotina dia após dia, mês após mês, ano após ano. Até parece pena de morte sem liberdade condicional. O que temos pela frente, a ser esperado com ansiedade? Talvez as breves férias do ano que vem? Compraremos uma excursão para a França; chegando a Paris, entraremos num ônibus com o resto do grupo, passaremos 15 minutos em frente ao Arco do Triunfo e meia hora subindo a Torre Eiffel. Depois de alguns dias, voltaremos para casa, onde enfrentaremos a velha rotina.

A maioria das pessoas se limita à mesmice de sempre - sem necessidade de pensar, de tomar decisões ou de sentir o lado afiado e emocionante da vida. A rotina sem dúvida traz uma sensação de conforto - mas é de uma monotonia massacrante (p. 50/51)".

Brasil: uma biografia - Lilia Schwarcz e Heloísa Starling - Gosto muito de obras de história e adquiri, recentemente, esse livro. Estou apreciando demais a leitura. Napoleão já dizia :"o que é a história senão uma fábula em que todos acreditam". Para provar esse ponto do Napoleão, caso tenham tempo, procurem no youtube, por exemplo, documentários brasileiros e paraguaios sobre a "Guerra do Paraguai" ou "Guerra da Tríplice Aliança". Cada lado tem seus motivos e argumentos. Até hoje os paraguaios guardam profundo rancor e ressentimento pelas consequências do conflito. Muitos brasileiros nem sabem o que ocorreu no período - quem bate esquece. Se tiver ainda mais tempo, assista os documentários do "Brasil Paralelo" sobre a colonização portuguesa e depois o documentário "Guerras do Brasil", produzido pela Netflix. Em algum momento você se perguntará: eles estão falando do mesmo país ? Aí terá a percepção de que a história é construída e fabricada, principalmente pelos vitoriosos.

Basta imaginar como seria a história da Segunda Guerra Mundial caso Hitler e os países do Eixo tivessem, por exemplo, conquistado a URSS ou o Reino Unido e vencido o combate. Os vitoriosos do Eixo contariam histórias muito diferentes daquelas que conhecemos e, provavelmente, deficientes, ciganos, judeus e "raças inferiores" seriam extintas pelos arianos de plantão, tudo com base no "racismo científico" e na eugenia defendida pelos "especialistas" do Terceiro Reich - antropólogos, biólogos evolucionistas, teólogos enviesados e médicos.

Armas, germes e aço - Jared Diamond - Um dos melhores livros que já li. Você já se perguntou por que os europeus conquistaram as américas e não os americanos nativos conquistaram a Europa ? Jared Diamond tenta responder o porquê de certos povos serem mais desenvolvidos do que outros. É claro que há muitas pessoas que divergem das conclusões do autor, acusando-o de determinismo geográfico e outros erros conceituais. Uma passagem célebre descreve a "Guerra dos Mosquetes" e a chacina dos Maoris contra os Morioris, a demonstrar a agressividade inerente à humanidade:

"Nas ilhas Chatam, 800 quilômetros a leste da Nova Zelândia, séculos de independência resultaram num final brutal para o povo moriori, em dezembro de 1835. Em 19 de novembro desse ano, um navio que levava 500 maoris carregados de armas, porretes e machados chegou, seguido por outro, em 5 de dezembro, com mais de 400 maoris. Grupos de maoris começaram a percorrer as colônias morioris, anunciando que estes passavam a ser seus escravos e que matariam os que se opusessem. Uma resistência organizada dos morioris poderia então ter derrotado os maoris, pois tinham pelo menos o dobro do número de homens. 

Entretanto, os morioris tradicionalmente resolviam suas brigas de forma pacífica e decidiram, reunidos em conselho, que não lutariam, preferindo propor a paz, amizade e divisão de recursos.

Antes que os morioris pudessem apresentar essa proposta, os maoris atacaram em massa. Ao longo dos dias seguintes, mataram centenas de morioris, cozinharam e comeram muitos de seus corpos, escravizando os demais, matando a maioria deles nos anos seguintes, de acordo com seu capricho.

Um sobrevivente moriori recorda: "os maoris começaram a nos matar como ovelhas... Nós ficamos horrorizados, fugimos para o mato, nos escondemos em buracos subterrâneos ou em qualquer outro lugar para escapar do inimigo. Pouco adiantou; fomos descobertos e mortos - homens, mulheres e crianças, indiscriminadamente"

Um conquistador maori explicou: "Tomamos posse... de acordo com nosso costume e pegamos todo o mundo. Ninguém escapou. Alguns fugiram e foram mortos, outros foram mortos - mas o que tem isso? Foi tudo de acordo com nossos costumes".

O resultado brutal desse choque entre moriori e maori poderia ser facilmente previsto. Os morioris constituíam um grupo pequeno de caçadores-coletores que viviam isolados, dispondo apenas das mais rudimentares tecnologias e armas, totalmente inexperientes em matéria de guerra e sem qualquer liderança ou organização. Os invasores maoris (procedentes do norte da ilha de Nova Zelândia) faziam parte de uma população de numerosos agricultores cronicamente envolvidos em guerras ferozes, equipados com tecnologia e armas mais avançadas, e que agiam sob o comando de uma liderança forte. É claro que, quando os dois grupos finalmente entraram em contato, foram os maoris que chacinaram os morioris, e não o contrário.

O autor aborda a incrível capacidade humana de extinguir outras espécies e transformar o meio ambiente que o cerca. Gostei muito quando descreveu a estratégia clássica dos grupos dominantes quando ocupam o poder:

"O que uma elite deveria fazer para conquistar apoio popular e ao mesmo tempo manter um estilo de vida mais confortável que o do povo? Cleptocratas em todas as épocas recorreram a um mistura de quatro soluções:

Desarmar o populacho e armar a elite. Isso é muito mais fácil nestes tempos de armamento de alta tecnologia, produzido somente nas fábricas e facilmente monopolizado por uma elite, do que nos tempos antigos de lanças e bastões feitos em casa.

Fazer a massa feliz redistribuindo boa parte do tributo recebido em coisas de apelo popular. Este princípio era válido para os chefes havaianos e ainda é válido hoje para os políticos americanos.

Usar o monopólio da força para promover a felicidade, mantendo a ordem pública e contendo a violência. Isso é possivelmente uma grande vantagem subestimada das sociedades centralizadas sobre as não-centralizadas (...)

O último mecanismo para os cleptocratas conquistarem o apoio público é elaborar uma ideologia ou uma religião que justifique a cleptocracia.. Bandos e tribos já tinham crenças sobrenaturais, assim como as religiões modernas estabelecidas. Mas as crenças sobrenaturais dos bandos e das tribos não serviam para justificar a autoridade central, a transferência de riqueza, ou para manter a paz entre indivíduos que não tinham relações de parentesco. (...) As tribos centralizadas normalmente têm uma ideologia, precursora de uma religião institucionalizada, que sustenta a autoridade do chefe."

Ao ler o livro lembrei do mito do bom selvagem de Rousseau: "o homem nasce bom, a sociedade que o corrompe". É o mesmo que dizer que todo homem nasce um ursinho carinhoso. Essa ideia do Rousseau é o pensamento mais nutella da história do iluminismo. Até parece que a sociedade é composta por amebas ou alienígenas de marte, e não por grupos de homens e mulheres. Neste tópico, estou mais para Thomas Hobbes: "o homem é o lobo do homem".

A característica mais presente ao longo de toda história humana é a agressão - a outros seres vivos e a semelhantes. Qualquer brasileiro que nasceu na periferia aprende isso com poucos anos de idade. Mas agressividade não fica só no Brasil. Você já leu algo a respeito do Massacre de Nanquim, praticado pelos japoneses contra os chineses ? Ou sobre como os japoneses trataram os coreanos durante a ocupação da Coreia ? Noite de São Bartolomeu ? Expulsão dos judeus da Espanha e Portugal ? Sobre a política de extermínio de deficientes pelos nazistas ? Sobre a forma como os poloneses foram tratados por nazistas e comunistas ? Sobre o estupro de milhares de alemãs pelo Exército Vermelho ? Sobre como os nativos do Brasil - antes e depois da chegada de Cabral - praticavam antropofagia? Sobre a Ilha Sentinela do Norte ? A lista é infinita. Pense nos grupos de extermínio, milicianos, traficantes... enfim... é só assistir Datena todo dia para constatar o óbvio: a história da humanidade é calcada no "princípio da agressão". 

Se quer a paz, prepare-se para a guerra!


Vídeo sobre a Ilha Sentinela do Norte



CARTEIRA

Aportes do mês em renda fixa, ações, ETFs e FIIs.

Ações - ITSA3, BBDC3

ETFs - SPXI11, PIBB11

FIIs - BBRC11, RBRF11, KNRI11

Segue a carteira:




INVESTIMENTO NO EXTERIOR

Abri conta na corretora passfolio e pretendo, até o final do ano, iniciar os investimentos no exterior. Provavelmente, para manter a tradição, vou começar pelos "imóveis". ETFs VNQ, VNQI e alguns REITs.

Não há justificativa para manter os investimentos apenas no Brasil, mesmo com o dólar acima de R$ 5,00.

Nunca foi tão fácil para o brasileiro ter acesso a empresas e produtos de países mais desenvolvidos. A revolução digital e tecnológica abriu possibilidades impensáveis há 10, 15 anos.

Quando casei - em 2011 - pude viajar para o exterior porque o dólar estava na casa de R$ 1,70. Hoje não seria possível fazer aquela viagem. Muitos brasileiros que tinham planos para morar no exterior tiveram que refazê-los - como o Sr. IF 365 - por conta da desvalorização recente do real.

Há alguns anos, os protestos eram estes aqui:



E qual a tendência do real nos próximos anos? Sinceramente, não tenho a menor ideia. Gosto muito de assistir os vídeos do Fernando Ulrich sobre o tema. Há uma clara tendência de digitalização das moedas e das transações, com maior controle por parte dos bancos centrais e governos - veja o PIX no Brasil e o potencial impacto na sociedade de mercado. Haverá uma moeda única mundial, controlada por um banco central e governo mundial? Por outro lado, há esforços para desconcentração desse poder, através do biticoin e congêneres. Quem vencerá essa guerra?  A possível desdolarização da economia mundial levará ao colapso dos EUA, tendo em conta seu déficit impagável? Qual efeito nos EUA quando acabar o super privilégio de imprimir uma folha de papel que é aceita como moeda em todo mundo ? 

FOQUE NAQUILO QUE VOCÊ CONTROLA

Independente de qualquer coisa, para os meros mortais, tudo o que pode ser feito é trabalhar, poupar e investir em valor de forma diversificada. Muito diversificada. Inclusive em ativos reais - imóveis urbanos e rurais, semoventes, etc.

Foque naquilo que você controla. E a grande verdade é que controlamos pouquíssimos aspectos de nossas vidas.

Preocupar-se com aquilo que não controla é esforço desnecessário e desperdício de energia.

Foque na sua própria evolução.

Como diz o Bastter, "nada vai melhorar a não ser você mesmo".

Para finalizar, deixo um vídeo que aborda uma verdade óbvia e necessária nos dias atuais: você não é especial!


Um abraço e até a próxima.




segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Fechamento de setembro de 2020 - carteira, aportes e livros

 Olá pessoal,

Os últimos meses foram muito movimentados. Nunca foi tão difícil me dedicar à leitura e às coisas de que gosto. Ultimamente só compro os livros. Ler que é bom, quase nada.

Pandemia, dificuldades, doenças, home-office, crianças sem escola. Os desafios são grandes, mas vamos vencendo, dia após dia.

PANDEMIA E A EDUCAÇÃO DOS FILHOS

Há um provérbio africano que diz: "é necessária uma tribo inteira para educar uma criança".

Como isso é verdade. Os pais que vivem em cidades sem redes de apoio (pais, avós, tios, primos, etc) fazem das tripas coração para criar e educar a prole. Poucas coisas são mais recompensadoras e cansativas do que a criação de filhos.

E tem uma turma aí que diz que ensinar os filhos - apenas em casa - é uma espécie de paraíso na terra. Acho que vivo num planeta diferente. Só pode. Educação começa e termina em casa, mas no meio do caminho é imprescindível a socialização que a escola proporciona. Comprei o "trivium", "quadrivium" e conheço as incongruências do ensino público, mas estou bem longe de ser um entusiasta da "escola apenas em casa".

Se eu não precisasse trabalhar e já vivesse de renda, até poderia tentar o empreendimento, mas é bem provável que não fosse suficiente para proporcionar uma educação de qualidade para os meus filhos.

Apesar disso, sou totalmente favorável que a prática seja admitida e permitida - se tem pai que deseja educar o próprio filho, não vejo nenhum problema nisso. Força, guerreiro! Vai precisar de muita paciência, sabedoria e dedicação. Se quiser ser a tribo de um homem só, boa sorte.

Fico assustado com o quanto nosso país não liga muito com educação: volta tudo - puteiro, shopping, bar, restaurante, cinema, praia, zona, quermesse, comércio, mercado, igreja, festinha de criança, happy hour. Tem maluco querendo até o retorno das torcidas para os estádios. E a escola? ah.... que se lasque a escola.

Confesso que se as aulas retornassem hoje não colocaria meus filhos, dadas as circunstâncias meio doidas da cidade em que resido, mas o que me assusta é a falta de prioridade e de propósito. Ninguém tá nem aí para a saúde mental e o desenvolvimento das crianças e adolescentes. Sei lá, pelo menos é essa a minha impressão.

Uma sociedade que valoriza mais a torcida nos estádios do que as crianças e adolescentes nas escolas. E viva o Brasil!

Aí os pais precisam trabalhar presencialmente. E vão deixar as crianças sozinhas em casa? E quem não tem condições de contratar babá? E a filha da babá, vai ficar com quem?

Que fique claro: o que me assusta é a falta de prioridade. Minha impressão é de que as escolas serão as últimas a retornar. Que tipo de sociedade é essa? 

APORTES

FIIs - VRTA11, TGAR11, HGLG11, RBVA11 e MXRF11

ETFs - SPXI11, SMAC11 e PIBB11

Segue carteira de renda variável:




LIVROS E SERIADOS

Não tenho nenhuma rede social (facebook, twitter ou instagram). Minha última foi o orkut. Está na minha fila de leitura o livro "10 argumentos para você deletar agora suas redes sociais". Eu nem preciso de 10 argumentos. Não tenho paciência com rede social e percebi que consumia muito do meu tempo e me causava mal-estar. 

No final de semana assisti a um documentário na Netflix chamado "O Dilema das Redes". Você pode até não concordar com alguns pontos, mas é o tipo de coisa que você tem que assistir, nem que seja apenas para discordar.

Quando eu tiver uma semi-aposentadoria ou chegar à aposentadoria antecipada, não sei exatamente o que irei fazer, mas de uma coisa tenho certeza: vou desligar o celular por, no mínimo, uns 6 meses.

Durante essa pandemia tenho que ficar ao lado dessa joça o tempo inteiro, por conta do trabalho.

Deus me livre - é uma escravidão mental essa potroca.

E quando assisti ao documentário só pude ter mais convicção do meu desejo.

Antes da pandemia, desligava o celular sexta a noite e só ligava domingo a noite. Era uma paz.

Enfim... veja o documentário, nem que seja para dizer que ele está errado.

Para quem está com saudade da corrida dos ratos, segue um filme para você recordar como é boa a vida na selva de ratos moderna:




Um abraço e até a próxima,